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Thursday, 30-Nov-2006 15:28
Pasta 17-Matéria do Mês!
Rio Ita,Estrela Azul,Ingá e Mauá na mira da Polícia!

Vales-transportes eletrônicos vendidos ilegalmente foram usados em 314 viagens de ônibus

Rio - Quatro empresas de ônibus que atuam na Região Metropolitana e na Baixada Fluminense terão que se explicar à polícia. Responsável pelo inquérito que investiga o maior esquema de fraudes do vale-transporte já descoberto no Rio, a Delegacia de Defraudações notificou as viações Mauá, Estrela Azul, Rio Ita e Auto Lotação Ingá.

Foram denunciadas à Justiça 15 pessoas, por crime contra a economia popular — segundo a Lei 1.521, tentar ou obter ganhos ilícitos em detrimento do povo mediante especulações ou processo fraudulento. A pena é de 6 meses a 2 anos de prisão.

O delegado titular da Defraudações, Fernando Vila Pouca, quer saber como o lote de 18 cartões do vale-transporte eletrônico (RioCard), vendidos a escritório de comercialização ilegal no Centro do Rio, foram descarregados nos coletivos dessas empresas.

Das 314 viagens feitas com os bilhetes entre os dias 21 e 31 de maio, 311 foram em três linhas da Viação Mauá, o equivalente a 99,05% do total de viagens. As outras três viagens foram feitas cada uma delas, numa das linhas operadas pelas outras três empresas que também serão investigadas.

"Vamos solicitar que os empresários dessas companhias nos forneçam os dados referentes à movimentação dos coletivos em que esses cartões foram descarregados, como o número de identificação dos ônibus, os horários em que saíram e que voltaram para as garagens, e até a relação dos rodoviários que trabalharam nesses carros naqueles dias", adianta.

O relatório da Delegacia de Defraudações encaminhado à Justiça confirma as denúncias de O DIA. Desde maio, a fraude do vale-transporte vem sendo retratada em série de reportagens.

As novas investigações vão identificar dentro das empresas os responsáveis pela fraude que lesa milhares de trabalhadores, causa um prejuízo de mais de R$ 36 milhões às companhias e já movimenta mais de R$ 5 milhões por mês nos escritórios que fazem o comércio ilegal na capital. "Esses criminosos lucram com o desespero de trabalhadores, que nem percebem que estão sendo lesados, e ainda causam prejuízos aos empregadores", destaca.

RECEPTAÇÃO DE ROUBO

Um dos 15 denunciados à Justiça é dono de um escritório que funcionava na Avenida Almirante Barroso, Centro do Rio. Rivaldo Souza Nogueira, 44 anos, foi indiciado também pela polícia por receptação de material roubado. Ele foi flagrado com 180 cartões do programa de erradicação da tuberculose, da prefeitura. A Estrela Azul, Rio Ita e Ingá, que registraram uma viagem cada com os cartões, não retornaram às ligações.

Companhia demite 40 funcionários

Nas linhas da Viação Mauá foram utilizados a maior parte dos cartões comercializados irregularmente, em maio, num dos escritórios do Centro do Rio. A empresa é suspeita de envolvimento com as fraudes. Mas, o diretor da companhia, Domenico Emmanuele Lorusso, negou que tivesse qualquer participação no desvio de créditos, e culpou os rodoviários. Segundo ele, 40 funcionários já foram demitidos por envolvimento com as irregularidades.

"Nunca tivemos nada a ver com esse esquema de fraudes. Pelo contrário, sempre nos dedicamos muito a combater todo tipo de irregularidades que pudessem estar sendo cometidas dentro de nossa empresa. A prova disso é que, desde o início do ano, já demitimos mais de 40 funcionários", argumentou Domenico.

Com uma frota de 290 coletivos e 1.986 funcionários, a Viação Mauá é o principal alvo das investigações da polícia. Levantamento feito pelo inquérito mostra que 311 das 314 viagens feitas com os 18 cartões negociados no mercado ilegal, foram registradas em três carros, de três linhas da empresa.

MENOS R$ 24,8 MILHÕES EM CAIXA

O mercado ilegal de compra e venda de vale-transporte provoca prejuízos milionários para o setor de transportes no Rio. De acordo com levantamento feito pelo <MC1>Sindicato das Empresas de Ônibus do Rio (RioÔnibus), mais de R$ 24,875 milhões deixam de entrar nos cofres das empresas que atuam na capital, todos os anos.

O rombo seria fruto da negociação de jovens com mais de 18 anos que, matriculados em escolas da rede pública e trabalhando com carteira assinada, recebiam os dois benefícios — gratuidade e vale-transporte. Segundo a pesquisa, pelo menos 29.648 dos 148.240 estudantes que dividem seu tempo entre o trabalho e a escola negociam o vale no mercado clandestino.

"Como tenho direito a receber os dois cartões, uso o RioCard de estudante, que tem minha foto, para ir à escola e ao trabalho. Já o cartão do vale-transporte que recebo no trabalho aproveito para vender e fazer um dinheirinho extra", admitiu o estudante e técnico em Informática Saint Clair Moreira, 19 anos.

Coordenador de Bilhetagem Eletrônica do RioÔnibus, Paulo Valente, explica que os prejuízos impedem que os empresários tenham condições de investir na melhoria da qualidade dos serviços prestados à sociedade.

"Se não tivéssemos que enfrentar mais esse problema, certamente poderíamos investir mais na compra de novos carros e na contratação de mais funcionários para o setor".
Fonte:Agência O Dia
Fotos:Cia de Onibus

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